ARLS “ESTRELLA D’OESTE” - 418
        FEDERADA AO G.O.B. – JURISDICIONADA AO G.O.S.P.
                         FUNDADA EM 20 DE NOVEMBRO DE 1885

                                              
RIBEIRÃO PRETO / SP - BRASIL

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História da Loja Estrêlla D'Oeste

A Fundação

A Loja Maçônica Estrêlla D'Oeste foi fundada no dia 20 de novembro de 1885 em reunião realizada na residência do Ir. Ramiro Pimentel, onde se achavam presentes os Irmãos Moyses Fernandes do Nascimento, Manoel José de França, Joaquim Raggio Zimbres, Euzébio Luiz de Carvalho, Manoel Ferreira Louzada, Jacob Boemer e o próprio Ramiro Pimentel. Estes Irmãos acabam por constituir a primeira diretoria da Loja, nomeada naquela data por aclamação:


Venerável  Ramiro Pimentel
1o Vigilante  Jacob Boemer
2o Vigilante  Manoel Ferreira Louzada
Orador  Joaquim Raggio Zimbres
Secretário  Euzébio Luiz de Carvalho
Tesoureiro  Moyses Fernandes do Nascimento
Esmoler  Manoel José de França
Mestre de Cerimônias  José Pereira da Silva
 

Em 23/04/1887 ocorre a sessão de instalação da Loja Provisória Estrêlla D'Oeste também na residência do Ir. Ramiro Pimentel, que presidiu a reunião com a presença dos Irmãos Moyses Fernandes do Nascimento, João Brandão Velludo, José Pereira da Silva, Luis Sutto, Pedro Batalha e Manoel José de França. Estes Irmãos formaram por aclamação a diretoria interina da Loja Provisória:


Venerável  Ramiro Pimentel
1o Vigilante  Manoel José de França
2o Vigilante  Luis Sutto
Orador  João Brandão Velludo
Secretário  Moyses Fernandes do Nascimento
Tesoureiro  José Pereira da Silva
Hospitaleiro  Pedro Batalha

 

E finalmente, em 5 de outubro daquele ano, a Loja recebe sua Carta Constitutiva, ficando assim regularizada perante o Grande Oriente do Brasil.

 

Templo e o Patrimônio

 

Nestes primeiros anos a Loja funcionou na Rua do Comércio (atual Rua Mariana Junqueira), n°. 68, em imóvel alugado, possuindo 1 terreno (provavelmente adquirido antes de 1890) no qual já tencionava construir seu templo. A partir de 1890 uma Comissão encarregada de tratar da aquisição de um prédio para o templo, a qual opta por legalizar o terreno que a Loja já possuía para que ali fosse construído o templo. Nesta ocasião o Ir. Carlos Petersen oferece uma nova planta para este projeto e os Irmãos passam a mobilizar-se para arrecadar os fundos necessários. Porém, em agosto de 1891, este terreno foi desapropriado pela Prefeitura (chamada então de Intendência Municipal), o que acaba por impedir o avanço deste trabalho. Ainda no final deste ano o Ir. Luiz de Pádua fala sobre as negociações em andamento para a compra de um imóvel na Rua do Comércio e em 1893 efetiva-se a compra do imóvel onde já funcionava a Loja pelo Venerável Francisco do Sacramento, juntamente com 2 Irmãos e 1 profano. Em sessão de 4 de novembro daquele ano o Venerável Sacramento informa sobre a referida aquisição e dá a sua palavra de que a Loja poderia continuar funcionando ali sem ser molestada.

 

No ano seguinte com a compra pela Loja de mais 5 imóveis contíguos ao prédio do templo na Rua do Comércio, ocorre a realização de obras de ampliação deste. Em 1899 o prédio do templo também é adquirido pela Loja e já se fala na construção de um novo templo. A partir de 1901 as atas fazem vagas menções sobre o projeto do novo templo, sobre obras realizadas e sobre dificuldades financeiras da Loja daí decorridas. Em laudo de avaliação patrimonial da Loja, do ano de 1904, encontramos referência ao imóvel da Rua São Sebastião, onde a Loja funcionou até a inauguração do templo da Rua Duque de Caxias, em 1949. Em ata de 11 de agosto de 1904 o Ir. Ubaldo Tandesch apresenta um livro de Contas Correntes referente ao término das obras de construção do templo.

 

A título de curiosidade mencionaremos que foi também nesta época que a Loja aprovou a instalação de luz elétrica no templo, em sessão de 4 de outubro de 1906 e, no ano seguinte, o tesoureiro foi autorizado a vender os lampiões da Loja já que não eram mais usados.Além da aquisição destes imóveis, a Loja também caminhou para organizar-se internamente nesse período, através da elaboração de seus Estatutos, iniciada em 1890 e concluída em 1896. Esse primeiro Estatuto foi posteriormente revisto e redigido com o intuito de regularizar a Loja como Pessoa Jurídica e em sessão especial ocorrida em 9 de maio de 1903 seus Estatutos são aprovados para esta finalidade. Na sessão de 8 de outubro do mesmo ano, o venerável comunica que a Loja já estava constituída como Pessoa Jurídica. Em 1921, o artigo 15 do Estatuto da Loja, segundo o qual todos os bens da oficina passariam à Santa Casa no caso de sua dissolução. Completando o trabalho do Estatuto, uma comissão formada pelos Irmãos Aniceto Scaravelli, José Moreira, Valente Fontato e Alfredo Arthur de Sá, recebe a incumbência de formular o Regimento Interno da Loja, o qual ficou aprovado no mês de julho de 1904.

Podemos marcar, a partir de 1923, um período onde a Loja atua marcantemente no cenário político, tendo sido Veneráveis os Irmãos Fábio Barreto, Tito Lívio dos Santos e Albino de Camargo Neto, todos seguindo, ao mesmo tempo, carreiras políticas. É deste período o surgimento na Loja do projeto do Voto Secreto.

 No ano de 1920 os imóveis pertencentes à Loja na Rua Mariana Junqueira são vendidos por 20 contos de réis ao seu inquilino, Sr. Veríssimo dos Santos. O dinheiro recebido com esta venda foi utilizado pela Loja para a construção da sede própria do Lar Anália Franco.

 Nessa mesma época a Loja é colocada como beneficiária no testamento da Sra. Maria Alves, recebendo como herança o imóvel onde ela residia na Rua Duque de Caxias e um terreno no mesmo local. Essa senhora deixou também como sua beneficiária a Sra. Maria Cipriano Gaia, que vivia com ela, a qual ficou com o direito de usufruto, enquanto vivesse, do imóvel doado à Loja e com o direito de receber uma pensão mensal da Beneficência Portuguesa, entidade também beneficiária do referido testamento. Coube a Estrêlla D'Oeste a incumbência de fiscalizar a Beneficência Portuguesa no cumprimento desta obrigação após a morte da Sra. Maria Alves, que se deu em dezembro de 1927.

Com a morte da Sra. Maria Cipriano Gaia em 19 de julho de 1941 a Loja regulariza a posse do imóvel e já passa a projetar a construção de um novo Templo. No ano seguinte, a Sociedade União dos Viajantes propõe à Loja que venda parte do terreno da Rua São Sebastião, o qual confinava com o daquela Sociedade, num total de 11 metros. Em 1944 surge uma proposta pelo Banco Bandeirantes para a compra do prédio da Loja na Rua São Sebastião por 250 mil cruzeiros. Em sessão realizada em 20 de novembro de 1944 fica aprovada a venda do imóvel para o Banco Bandeirantes pelo valor acima referido e da faixa de 11 metros do fundo do terreno para a Sociedade União dos Viajantes por 30 mil cruzeiros. Imediatamente é nomeada uma comissão para avaliar as condições do imóvel da Rua Duque de Caxias e providenciar as modificações necessárias para que a Loja pudesse funcionar ali. De janeiro a maio de 1945 não houve sessões devido às reformas feitas no prédio, as quais ficaram a cargo dos Irmãos Christovam Raghiante e Nicolau Terreri. A primeira sessão ali realizada foi em 14 de maio de 1945.

 

Uma vez instalados, os Irmãos passam a ocupar-se com o projeto de construção de um novo templo para a Loja, tencionando que viesse a ser um dos maiores do país, dentro dos moldes constitucionais e ritualísticos da Ordem. Foi o Ir. Renato Guimarães Leite quem recebeu a incumbência de realizar os estudos iniciais para a obra e a Comissão de Construção do Templo foi formada pelos Irmãos Nelson Rodrigues Nóbrega, José Sapienza, Otávio Mattioli, José Corral Milena, Nicolau Terreri e José Sebastião Leal.

 

Em 1946 o projeto foi concluído e orçado em 350 mil cruzeiros. Surge então uma discussão acerca de qual seria o melhor local para o Templo. Alguns Irmãos, tais como João Engracia de Oliveira, Christovam Raghiante e Amleto Belloni propunham que o terreno da Duque de Caxias fosse vendido em troca de terreno noutro local, tendo informado até sobre a proposta de um interessado em comprar o imóvel pelo valor de 75 mil cruzeiros. Outros Irmãos eram contrários a essa idéia, argumentando que a decisão de se construir ali já havia sido tomada há 2 anos atrás, quando da venda do imóvel da Rua São Sebastião e que a autorização do Grande Oriente Estadual já havia sido dada com base nisso. Em sessão realizada em 17 de março de 1947 essas propostas são debatidas, contrárias e favoráveis à construção do templo nos fundos do terreno da Rua Duque de Caxias, e os Irmãos acabam por aprovar que fosse mesmo naquele local, através de escrutínio secreto, por 21 votos contra 16.

 

Em junho daquele ano a diretoria ainda não havia iniciado a obra e empenha-se em comprar o sobrado ao lado do terreno da loja, tentando negociar com os seus proprietários a troca daquele imóvel por outra propriedade da loja. Mas em sessão de 23 de junho o Venerável Renato Guimarães Leite comunica à Loja que o negócio da compra do sobrado não fora efetuado por causa dos proprietários do sobrado não terem aceitado a proposta da Loja e que, em vista disso, dera entrada na Prefeitura da planta do novo templo, a ser construído nos fundos do terreno da Rua Duque de Caxias, conforme já havia sido aprovado no mês de março. Em julho o terreno já estava sendo nivelado para a preparação dos alicerces e os Irmãos aprovam realizar a rifa de um automóvel para angariar fundos para a obra. Em janeiro de 1948 a cobertura do templo já havia sido terminada. Em maio daquele ano os Irmãos passam a reunir-se no prédio do Lar Anália Franco devido à demolição do prédio da Rua Duque de Caxias para a finalização das obras do templo. Para o término das obras falou-se na venda de alguns terrenos que a loja possuía e também na abertura de uma lista de arrecadação entre os Irmãos. Em 14 de março de 1949 ocorre a primeira reunião no templo já concluído, para que fossem designadas as comissões de sagração e inauguração do mesmo e ministradas as instruções para a Sessão de Sagração a ser realizada em breve.

 

Finalmente, em 2 de abril de 1949, realiza-se a Sessão Solene de Inauguração e Sagração do novo templo, com presenças do Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil, Joaquim Rodrigues Neves e do Grão Mestre do Grande Oriente de São Paulo, Benedito Pinheiro Machado Tolosa e de seu Adjunto, Latino Escobar; do Grande Venerável do Conselho de Kadosh do Gosp, Cyro Werneck de Souza e Silva, bem como de comitivas de 58 lojas, perfazendo um total de 1006 Irmãos visitantes. Após a cerimônia foi oferecido champanhe e um coquetel a todos os presentes.

 

As Fusões com Outras Lojas Maçônicas de Ribeirão Preto

 

Nos primeiros anos de existência da Estrêlla D'Oeste surgiram em Ribeirão Preto outras Lojas Maçônicas, as quais, num total de 5, acabaram todas por fundir-se. A primeira fusão aconteceu em 1902, com a Loja Macedo Soares e a última em 1911, com a Loja Amizade e Independência. Daí em diante a Estrêlla D'Oeste foi, durante mais de 50 anos, a única loja maçônica da cidade.

 

A primeira fusão, ocorre em 20 de junho de 1902, com a Loja Macedo Soares. Esta loja funcionava no templo da Estrêlla D'Oeste, na Rua do Comércio 68, pagando por isso um valor de aluguel de 40 mil réis. Uma das maiores conseqüências dessa fusão foi o compromisso assumido pela Estrêlla D'Oeste de construir uma Escola, que acabou sendo fundada em 1904 e denominada Escola Macedo Soares. O presidente da Comissão de Regularização e da Sessão de Fusão foi o Ir. Eliseu Guilherme Christiano, membro da Estrêlla D'Oeste.

 

Em 14 de janeiro de 1904 ocorre a Sessão Magna de Fusão da Estrêlla D'Oeste com as Lojas "Força e Justiça" e "Homenagem a Vautier" . A Loja Força e Justiça já vinha utilizando o templo da Estrêlla D'Oeste em caráter provisório e havia sido fundada em 1893 por membros da oficina que haviam aderido ao Grande Oriente de São Paulo, que fora criado numa situação de dissidência com o Grande Oriente do Brasil. Na ocasião de sua criação, a Estrêlla D'Oeste manifestou seu irrestrito apoio ao Gob, repudiando a Potência Independente, e os Irmãos Antônio Poggi de Figueiredo, Pedro Senne, Demétrio Collety, José Herbeto, Emílio Fagnani e outros, fundam a Loja Força e Justiça filiada ao Grande Oriente de São Paulo. Por ocasião desta fusão, o Grande Oriente de São Paulo já havia sido incorporado ao Gob.

 

No ano de 1906, o Venerável José Pereira da Fonseca inicia as primeiras conversações com as Lojas Independência e Amizade e Integridade Pátria sobre a possibilidade de fundirem-se com a Estrêlla D'Oeste. Alguns Irmãos, contrários a esta idéia, acabam por aprovar um veto contra qualquer fusão que fosse proposta, em sessão realizada em 22 de fevereiro daquele ano, na qual o Venerável estava ausente. Esse fato gerou bastante polêmica na oficina e o veto acaba por ser revogado 3 meses depois. Daí em diante recomeçam as negociações para a Fusão com a Loja Integridade Pátria, na qual o imóvel daquela Loja passaria a pertencer a Estrêlla D'Oeste, bem como sua biblioteca. O imóvel foi vendido e a biblioteca foi doada à Prefeitura Municipal em troca de isenção de impostos. O Ir. Fábio de Sá Barreto, membro do quadro da Integridade Pátria, passa nesta ocasião a pertencer a Estrêlla D'Oeste. A Sessão de Fusão ocorreu em 30 de novembro de 1908 e foi presidida pelo Grão Mestre do Estado de São Paulo, Pedro de Toledo.

 

Em 10 de agosto de 1911 acontece a 5a e última fusão, desta vez com a Loja Independência e Amizade. Por esta ocasião as sessões da loja passaram a acontecer no templo desta, na Rua Álvares Cabral número 7, uma vez que o prédio da Estrêlla D'Oeste na Rua São Sebastião estava sendo utilizado pelo recém fundado Ginásio Barão do Rio Branco. Foi da Loja Independência e Amizade que vieram os Irmãos Aristides Proença da Fonseca, Antônio Barrachini, Antônio Bosi, João Casillo, Pedro Folena e Marcos Ferreira Lopes, entre outros.

 

Somente nos anos 60 é que começam a surgir outras Lojas em Ribeirão Preto, sendo as primeiras as Lojas Elias Nechar e Abolição e Independência. Atualmente o município conta com mais de 50 Lojas Maçônicas.

  



   
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