ARLS “ESTRELLA D’OESTE” - 418
        FEDERADA AO G.O.B. – JURISDICIONADA AO G.O.S.P.
                         FUNDADA EM 20 DE NOVEMBRO DE 1885

                                              
RIBEIRÃO PRETO / SP - BRASIL

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GRANDE LOJA DA INGLATERRA 300 ANOS  
VÍDEO DE 20 MINUTOS EM COMEMORAÇÃO AOS 300 ANOS DA MAÇONARIA NO MUNDO 1917-2017
 






Origem e importância da maçonaria organizada no mundo: 


No dia 24 de junho de 2017, a Maçonaria Organizada completará três séculos de existência.

Os números impressionam: a Maçonaria chega a 300 anos em 2017. 

2017 forma o número um, que representa a energia criativa, a originalidade e a individualidade, diz respeito ao poder, à masculinidade e à objetividade. Um é a unidade de Deus, e também representa o Eu - a personalidade individual do ser humano. A numerologia também é objeto de estudo da maçonaria.

O tricentenário maçônico, poderá representar, sem dúvida, uma renovação. 


O Começo da Maçonaria Simbólica: 

 

Em 24 de junho de 1717, fundou-se a Grande Loja de Londres e Westminster, na Inglaterra. Teve início, assim, o que hoje chamamos de Sistema Organizado, ou Obediencial da Franco-Maçonaria tal qual hoje é conhecida. 
 

Membros de quatro Lojas encontraram-se informalmente na taverna Crown, em Counvert Garden, naquela data. Acharam por bem "unirem-se sob um Grão-Mestre, "como Centro de União e Harmonia”.

As quatro Lojas envolvidas nesta decisão não tinham nomes - eram identificadas pelos nomes das tavernas ou cervejarias em que se reuniam. Eram elas: 

 

I – Goose & Gridon (Ganso e Grelha), perto da Catedral São Paulo; 
II – Crown (Coroa), em Perkers Lane; 
III – Apple Tree (Macieira), da Charles Street; 
IV – Rummer & Grapes (Copázio e Uvas), em Cannel Row, Westminster. 

 

As quatro lojas formaram, então, um movimento de articulação em rede que se espalhou pela Inglaterra, Escócia, França, Holanda e Alemanha, consolidada por regras e constituições compiladas em atas, entre 1720 e 1723. 
 

Com a fundação da maçonaria organizada, estabeleceu-se um novo tipo de relação piramidal, através da qual as Lojas existentes aderiram a um novo órgão, chamado Grande Loja, formando uma potência atratora, transcendendo o caráter operativo das organizações então existentes para constituir-se em uma organização simbólica, política e filosófica. Os resultados dessa organização fazem-se sentir na história do ocidente até os dias de hoje. 
 

 

A data, 24 de junho, é um marco da chamada maçonaria simbólica.  
A maçonaria operativa, no entanto, é uma instituição milenar.



As ordens maçônicas na antiguidade: 
 

As ordens maçônicas têm origem na antiguidade - no costume dos mestres de obras dos grandes templos e fortificações, de manter em segredo as plantas, fórmulas de cálculos e segredos das construções, compartilhando-os apenas entre seus iguais. A introdução dos novos mestres, escolhidos dentre os oficiais auxiliares das obras, nessas sociedades, se fazia por adoção. Era a forma de manter em segredo a engenharia dos templos e fortificações, garantir a segurança das obras e manter a qualidade e valorização da própria atividade - a engenharia da antiguidade. 

Muitos pagavam com a vida a manutenção do juramento secreto.

Na idade média, as hansas, corporações de ofício e, principalmente, as guildas, permitiram à essas sociedades de mestres, oficiais e aprendizes, ganhar caráter operativo, sistematizar conhecimentos, e organizar-se em células, reunidas em lojas, transcendendo o rol de construtores para atingir, também, comerciantes e artesãos. Formavam corporações privilegiadas, que se furtavam de toda a regulamentação oficial e guardavam os segredos da profissão. 

O vínculo com a tradição da construção, no entanto, constituiu sempre a marca de identificação dessas lojas. Daí procede a terminologia (maçom = pedreiro) e os símbolos de ferramentas, como o martelo, a paleta e o esquadro. 

Havia, porém, um componente importante, filosófico e religioso, nesse amalgama organizacional: a profunda influência da Ordem dos Cavaleiros Templários sobre a economia medieval. 
 

 


Os Templários: 

 

Coube à Ordem dos Templários, entre 1119 e 1312, sob voto de pobreza, zelar pela organização financeira, comercial e logística da economia na Europa e oriente próximo, garantir militarmente a segurança dos viajantes e seus valores e manter a salvo o caminho dos peregrinos até Jerusalém. 

 

Os templários guardaram as estradas, cobraram pedágios, garantiram a circulação das moedas, emitiram títulos de crédito (invenção templária) e, guardaram os valores em depósito. Foram os primeiros banqueiros da história (e os únicos, ao que tudo indica, que não se conspurcaram com o dinheiro). Fizeram jorrar o sangue para trazer a paz ao ocidente. 

 

Guardiões desde a primeira cruzada, do Templo de Salomão, em Jerusalém, e excelentes militares, os templários não ganharam poder por conta da força militar e do dinheiro - na verdade esse poderes foram consequência de outro maior, proveniente da busca obstinada pelos mais profundos conhecimentos sobre os fundamentos espirituais do cristianismo, sua raiz judaica e sua derivação islamita, sobre os símbolos e as razões estruturais contidas na construção e funcionamento do Templo de Salomão, sobre a Arca da Aliança, o Carro Celestial visto por Ezequiel e, sobretudo, a Cabala. Os Templários patrocinaram pesquisas e guardaram conhecimentos sobre a filosofia natural, estudos mítico-alquímicos, esoterismo, astrologia, signos e simbologias das formas geométricas e dos números. 

Uma clara evidência da interrelação dos cavaleiros templários com a maçonaria está na construção da loja maçônica na abadia da cidade de Kilwinning, na Escócia, em 1140. De acordo com o histórico da Loja, nesta época, o Papa Inocêncio II (o mesmo que apoiou e estabeleceu privilégios aos Cavaleiros Templários em 1139) criou corporações (ou fraternidades) de pedreiros, e deu a elas certos privilégios com o objetivo de enviar artistas italianos, que eram famosos por construírem catedrais, para erguerem igrejas em outros países também. Uma guilda destes pedreiros e forasteiros parece ter ido a Kilwinning, para construir a abadia, e de acordo com os relatos da Loja, lá fundou e constituiu a primeira Loja da Escócia. A Loja foi fundada na sala capitular dentro da abadia, uma sala com 11,6 x 5,8 m, e ali permaneceu até sua reforma em 1560, quando uma desavença entre os nobres Earl de Glencairn e Earl de Eglinton (que de comum só tinham o primeiro nome), resultou na destruição da abadia. 
 

O fato é que toda essa ebulição templária, rica em todos os aspectos e profundamente transformadora, "transbordou" - extravasou os diques ideológicos e de controle mantidos pela igreja e passou a perturbar todas as monarquias europeias. Assim, por ordem do Papa, os templários foram brutalmente exterminados.

Esse episódio histórico representou o cisma moral entre religião, economia e Estado. 
 

O destino dos Templários guarda profunda relação com a formação filosófica da maçonaria simbólica e organizada. A maçonaria organizada surge laica, universal, aclassista e humanista. Seus membros zelam pelos princípios da liberdade, democracia, igualdade, fraternidade e contínuo direito ao aperfeiçoamento intelectual. Lutam obstinadamente pela separação do Estado da Religião. 
 

 


A Paz de Westfália e as revoluções: 

A maçonaria organizada, assim, passou a assumir papel fundamental na política moderna.

De fato, admitir que todo homem é livre e possui bons costumes, não fazer distinção de raça, religião, ideário político ou posição social, ter como critério de admissão o espírito filantrópico e a busca da perfeição, em plena era do absolutismo... era algo extremamente revolucionário (e de certa forma, ainda o é, nos dias complexos de hoje). 

A organização política da moderna maçonaria guarda raízes também nas articulações para por fim à Guerra dos Trinta anos e outros conflitos históricos em curso na Europa, em 1648. Neste ano, católicos e protestantes firmaram a Paz de Westfália, um conjunto de tratados que constituem o marco inicial dos estados nacionais e da diplomacia moderna. 
 

Os tratados reconheceram a soberania dos estados, instituíram a diplomacia e decidiram que os conflitos posteriores na Europa não mais teriam como motivo principal a religião, permitindo, assim, a aliança entre países protestantes e católicos em eventuais futuros conflitos. Ou, seja, o início do fim das teocracias na Europa. O teor desses tratados tiveram enorme influência no pensamento maçônico.

A Maçonaria Organizada, espalhou-se como rastilho de pólvora, no Século XVIII - e tornou-se receptáculo da filosofia das Luzes, propagando o iluminismo, o pluralismo e o laicismo pelo continente europeu e colônias ultramarinas. 
 

Difícil saber se o iluminismo influenciou a maçonaria ou... foram os maçons grandes iluministas. O fato é que há um fio condutor da maçonaria no século das luzes. No final do século XVIII já existiam 700 lojas na França, compostas por grande quantidade de nobres e membros da classe média e do clero. 
 

Apesar dos Papas Clemente XIII e Bento XIV terem proibido a maçonaria em 1738 e 1751 - pois era evidente o conflito entre os interesses clericais no Estado e o laicismo político pretendido pelos maçons, o fato é que grande número de clérigos já integrava a organização. 
 

Músicos da importância de Mozart integraram a maçonaria. Grandes militares, como La Fayette, também.

A maçonaria formou a estrutura teórica (e operativa) da Independência Americana e da Revolução Francesa. George Washington e Benjamin Franklin, introduziram os princípios maçônicos na declaração de independência dos Estados Unidos. A Revolução Francesa adotou o lema maçônico "Liberdade, igualdade, fraternidade". 
 

Há sinais evidentes da maçonaria na independência e formação política de todos os países americanos - incluso o Brasil. Há forte traço maçônico na formação clássica do judiciário como um poder autônomo, em todo o mundo, bem como na ordem dos trabalhos em todas as casas legislativas. 
 

No século XX, os maçons conheceram a perseguição institucionalizada. Comunistas e Nazistas tinham os maçons como inimigos de Estado. Na guerra fria, os maçons americanos foram vistos com desconfiança por Macartistas enquanto na Europa, eram desprezados pela esquerda existencialista. Foram caçados nos países de religião muçulmana, por motivos óbvios e, também, combatidos pela direita ortodoxa israelense. 
 

A maçonaria, de certa forma, moldou a governança dos séculos XIX e XX, e, também, viu seus valores serem fortemente conflitados nesse mesmo período. 
 

 

O futuro da Ordem: 
 

Existem hoje, no mundo, aproximadamente 6 milhões de maçons, espalhados pelos 5 continentes. Destes, 3,2 milhões vivem nos Estados Unidos, 1,2 milhões no Reino Unido e um milhão no resto do mundo. No Brasil, calcula-se que existam aproximadamente 150 mil maçons e 4.700 lojas regulares. 
 

O número respeitável de maçons, no entanto, necessita de emprego eficaz. 
 

Hoje, o conflito entre governo global, nova ordem mundial e resgate das nacionalidades, o isolacionismo em contraponto à regionalização das economias, o radicalismo intolerante protofascista e o terrorismo islâmico, também representam desafios da maçonaria moderna. 
 

Recentemente, em 2012, a Grande Loja Unida da Inglaterra entrou em conflito com a Grande Loja Nacional Francesa - praticamente antecipando o brexit e reinaugurando a história da Ordem na Europa. A questão da globalização, do resgate dos interesses nacionais, do uso dos conflitos humanitários como forma de manutenção no poder da hipocrisia politicamente correta, da reação à imigração e do risco à segurança dos cidadãos face ao terrorismo, influencia os rumos da maçonaria europeia tanto quanto a maçonaria no resto do mundo. 
 

Talvez a ordem maçônica mereça renovar-se após trezentos anos de vida simbólica. Talvez necessite rever os símbolos. Talvez seja o momento do resgate de velhas raízes. A verdade é que há uma indefinição de rumos, em meio a indefinições em toda a ordem mundial. 
 

Os números do jubileu maçônico, no terceiro século de sua constituição simbólica, podem significar mais que mera numerologia... 
 

Hora de repensar, do caos... uma nova ordem? 



Fonte: Antonio Fernando Pinheiro Pedro é advogado (USP), jornalista e consultor ambiental. Sócio diretor do escritório Pinheiro Pedro Advogados, integra o Green Economy Task Force da Câmara de Comércio Internacional. Membro do Instituto dos Advogados Brasileiros – IAB, membro das Comissões de Infraestrutura e Sustentabilidade e Política Criminal e Penitenciária da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo (OAB/SP). É Vice-Presidente e Diretor Jurídico da API - Associação Paulista de Imprensa. Editor do Portal Ambiente Legal e do blog The Eagle View. Membro da Academia Paulistana Maçônica de Letras - APML (cadeira 38, Jânio Quadros). - Potal The Eagle View

 



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